sexta-feira, 3 de julho de 2009

veja como são os fatos



fui pro boteco pra buscar a camiseta que comprei do marko, recebi a encomenda, beberiquei, esqueci a sacola pendurada na cadeira, liguei pra isolda guardar. ela, por sua vez, bebericou mais do que eu, mas lembrou de levar a camiseta. pegou carona e largou a sacola no banco do carro do léo. ele, por sua vez, bebericou mais do que todos, mora em santo andré, trabalha na barra funda e é um sem vergonha. logo, sou um descamisado até segunda ordem ou bebericação... bebericação esta, que pelo visto e segundo reza o lugar comum - e lugar mais comum que um bom pé sujo não há -, é a causa e solução de todos os problemas.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

um brinde alvinegro


01 de julho de 2009

Não publico esse texto antes do jogo de jeito nenhum... pra não zicar. Corintiano tem dessas coisas. Há quem chame de superstição, mas esse termo carrega certa irracionalidade. Então não é bem isso. Quem vibra pelos valentes do Parque São Jorge tem plena consciência do sofrimento que está sempre por vir. Sempre. É uma questão óbvia e clara como a palma da mão do Michael Jackson depois de morto. Falar demais, e premeditadamente, não faz bem.

Mas fico pensando... e se toda a macumba de todos os terreiros da Zona Leste falhar, o bravo matador de dragões tirar a noite de folga e dormir no ponto na hora da bênção, a possível propina da cartolagem colorada vingar, o beira-rio ferver de maneira insana contra o habitualmente obstinado escrete alvinegro e, o mais paranormal, o esquadrão fenomenal não arrebatar o coração da fiel torcida em um contra-ataque de minerva? E se, hein? Porque, convenhamos, só essa junção de desgraças para tirar o triunfo desse surpreendente e efetivo novo Corinthians, que das cinzas da série B, fez-se novamente P&B.

Sendo assim, quando eu clicar “Publicar Postagem” nesse humilde blog, espero, sinceramente, estar entorpecido pela trilha sonora de “É campeão!” e pelo álcool da comemoração, porque título da Copa do Brasil harmoniza com 'double' caipirinha.

02 de julho de 2009

Que peleja, que elenco, que fase... Ai, minha cabeça...

segunda-feira, 22 de junho de 2009

a cor da camiseta


Parado no sinal, fitava pelo retrovisor a fila que se formava no meu rastro. Todo mundo estacionado onde passei há pouco, de olho no onde estou agora e alucinado pelo onde nem se vê mais à frente. E eu vagando lá atrás. Até que aparece o garoto pedinte, que é um, mas podia ser outro, outra, outros, montes, e, no fundo, às nossas insufilmadas vistas, já são todos o mesmo menino. Mas esse... esse tinha algo suficientemente forte pra me despertar do tráfego: vestia uma camiseta amarela. Mas não qualquer camiseta amarela. Era a minha camiseta amarela, esquecida há tempos num banco de carona. Aquela mesma, objeto de discórdia e, por irônico que pareça, razão de uma violenta lavagem de roupa suja.

Tinha certeza que era a minha por conta de uma mancha lilás em formato de foice na gola. De dentro do carro podia sentir o cheiro do vinho tinto daquele dia de lambança, de onde saí com a roupa marcada para sempre, para nunca mais. Incorpóreo, entranhei-me como traça no tecido que cobria aquele moleque, e me pus a fazer uma minuciosa expedição por entre os fios de algodão, sais de sudorese, poeiras e restos anexos de memória, até que o farol abriu, o garoto desistiu de um mumificado eu e virou-se pra calçada, onde uma mulher velha e muito gorda estava sentada, com os peitos caídos sobre a barriga e os olhos tomados pela catarata. A cabeça dela pendia e oscilava, como se procurando algo que não fosse branco, e que não fosse preto, porque era meio assim que enxergava o mundo, mas algo que fosse amarelo. Parece que é a cor mais expansiva entre as matizes. Talvez por isso o seu último suspiro de vista não acinzentada buscasse o semáforo, fiel alarme para a hora em que o garoto – seu filho, neto? – deveria partir em busca dos presos de mais um sinal vermelho.

E na troca pra segunda marcha, o garoto já chegava junto à mulher, que logo dirigia o pescoço em sua direção, farejando o amarelo da minha camiseta. E só agora eu percebia que a camiseta nem era tão amarela assim. Era mostarda. Mostarda Dijon.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

chiclé de bola

você me disse mãos ao alto
na montanha russa
e eu rezando à Pacha Mama
de ti no paso, Mama
você me acalma
desencana, tá na boa, deixe que a vaca tussa
e eu de olhos fechados
no teu abraço, mina

e vem filosofar
que todo mundo é feito chiclete
que a gente estica, amarga e gruda
como chiclé
ah, é?
então me enrola, me embola, me cola
me endurece embaixo do teu assento

e assim, por um momento
você perde a pose
Chiclé de bola no teu peito!

você me disse vamosimbora
num foguete à Júpiter
e eu saquei sem gravidade
o grave em ti é não amar
você responde
corta essa, o amor ilude
e eu querendo ocê na cama
escuta esse som do Itamar

“Devagar com esse andor, Leonor...”

quarta-feira, 3 de junho de 2009

oik



Foi numa conversa por msn que começaram os sintomas. Combinamos algo para aquela noite e, no final do papo, recebi um “oik”. Obviamente aquilo era um erro de digitação, com um i intruso no meio. Achei graça e mandei um emoticon de um porquinho tocando maracas. Ela não recebeu nada bem aquilo. Mais do que isso, a brincadeira foi o estopim para um descarrego daqueles. De pequenas pilhérias em pequenas pilhérias de minha parte, encheu-se. E a explosão saiu em forma de verborragia estragada, embolorada, cansada. Reclamou dos meus excessos e insensibilidade e da minha falta de compaixão e tato.

Assustado, fugi do assunto e propus uma conversa a vivo. A resposta: “oik”. Longe de ser louco, fingi não ter visto o retorno do i intruso e fui ao restaurante onde se daria nosso encontro. Peguei um trânsito monstruoso e, pra desolar ainda mais a situação, cheguei atrasado. Antes mesmo de avisar ao garçom que vinha em minha direção que alguém me esperava, já a avistei, de costas, aparentemente comendo uma salada.

Mal me aproximava da mesa, já ouvia a barulheira que fazia ao se alimentar. Arfava e grunhia com as costas curvadas e a cara bem próxima ao prato. Conforme os talheres eram levados à boca, pedaços de comida ora caiam no seu colo, manchando a blusa de azeite, ora espirravam em suas bochechas e nariz. Fiquei em choque. Confesso que posso ter exagerado na quantidade de sarros tirados com as coisas dela durante todo esse tempo de relacionamento, mas jamais imaginei isso ser motivo para não me esperar para comer e, pior, devorar com tanta ansiedade e fúria aquelas folhas de alface, rúcula e agrião.

Sentei-me. Ela demorou a perceber minha presença. “Amor...”, lancei, baixinho. Como se tivessem apertado um pause na cena, ela travou. Cessaram-se os movimentos e os barulhos. Devagar, seus olhos subiram em minha direção. Em seguida, a cabeça e, finalmente, o tronco. “Olá”, disse ela, com um sorrisinho verde, “Estou com uma fome que você nem imagina”. “Imagino sim...”

O jantar não transcorreu bem. Não consegui puxar outros assuntos e muito menos degustar a refeição, pois fiquei um pouco constrangido e enojado com o jeito com que ela comia. Em muitos momentos, seu nariz chegava a esfregar no prato. Algo inexplicável e realmente preocupante acontecia. O corpo de minha amada começava a engruvinhar, pêlos nasciam em suas orelhas e, como comecei a prever e temer, seu nariz foi-se achatando e, em pouco tempo, já lembrava uma tomada.

Nem pensei na sobremesa. Paguei correndo a conta e puxei-a pelo braço. Notei que sua mão também definhava, denunciando uma unha marrom nascente. Desesperei-me. Só podia ser sonho, culpa do Kafka ou da Viagem de Chihiro. Nada! Era real! Corri para o carro, ela em meus braços, toda suja de molho de tomate, já me fitando com um olhar irracional, brilhante, perdido. No caminho para o pronto-socorro, exausto e desnorteado, com a visão completamente turva, estacionei na primeira vaga que vi e desmaiei.

Acordei com os primeiros raios da manhã entrando pelo vidro da frente do carro. Enquanto lutava para descolar a pálpebra, virei correndo para o banco ao lado e “oik!”, lá estava uma mini porca, dessa vez já completa, com rabo de parafuso e tudo, e com a cabecinha torta, a me olhar. Sei que suínos não riem, mas ela tinha um ar gracioso, debochado até. Se fosse gente, estaria gargalhando, tenho certeza. Aquela seria a vingança dela? Valia a pena passar a eternidade em forma de bebê leitoa só para que eu pagasse meus pecados infantis?

Com a cabeça latejando de dor, tentei abrir a porta e meus dedos não davam conta, batiam no abridor e, desengonçados e duros, eram repelidos. Mirei minha mão e ali estava uma pata cascuda, com unhas grossas e uma pelagem branca que subia desde o que costumava ser meu pulso até onde meus olhos podiam ver, cobrindo boa parte do banco do carro. Desesperado, berrei por socorro: “mééé!”

terça-feira, 2 de junho de 2009

bigsmall

O que se há de fazer
com esse limite próximo?
Conter ou explodir?
Se é que sabe, vai

Atrás do chip ideal
das novas tecnologias
Em busca de um detergente
atômico

Se o que nos resta é ser
tão microscópicos
e ter cálcio, ferro e tal
o que valerá mais?

Atrás do toque final
para arredondar a bola
Em busca do velho oriente
icônico

sexta-feira, 29 de maio de 2009

tiplati tuguédis

Era tempo dos afonsinhos quando ele vestiu o terninho de marinheiro pra deixar a mãe orgulhosa. Lá se foi pra rua de nó azul e uniforme branco alvo. Alvo branco. O pobre nem imaginou que na primeira saída a inveja dos meninos da Capote Valente iria acabar com a festa. Mal virou a esquina do quarteirão de casa e as três filhas da vizinha já gritaram pro povo todo olhar pro pequeno oficial enlameado. Eram três irmãs, a Ana e a Clara... a terceira não se lembra mais. Mas recorda bem a surra que tomou da genitora, possuída pelos prantos da decepção. Nem conseguiu explicar o sucedido. Antes tivesse sido uma queda do carrinho de rolimã.

Depois veio a fase de a turma arrumar apelidos pra ele. Alicate, por causa das pernas curvadas, e Cabeção, graças à cuca grande, eram os prediletos. Um dia, talvez ainda amargurada por conta do terninho perdido, a mãe pediu que ele fosse à feira: “Traz três melões, duas mangas rosa, um quilo de laranja, uma melancia...”. E enquanto o rapaz buscava a sacola pra carregar a encomenda, foi disparada a acidez materna: “Traz no gorrinho mesmo!”, e explodiu em gargalhada.

Engana-se quem pensa que ele cultivou revolta, ou entrou metralhando na escola, ou tentou suicídio quatro vezes, ou ainda tenha virado sacerdote, transexual ou usuário de heroína. O que deu sentido a sua existência foi a aquisição, com o passar dos anos, de um repertório boca suja invejável. Tinha palavrões para todas as ocasiões, conferindo a tais termos novos significados a cada combinação e entonação. Foi o rei do baixo calão, no melhor sentido possível, pois foi assim que se socializou aos montes, passou a ser considerado, conquistou simpatias e, logo, já andava malemolente como um milongueiro boa praça pelos botecos de São Paulo.

E assim aprofundou sua crença no comer, beber, gargalhar e proporcionar o riso. Os ocorridos da infância não viraram traumas. Talvez nem tenham existido de fato. Quem sabe? Vai ver só foram reavaliados e reinventados por ele, e agora por mim, para que virassem bons pretextos para mais anedotas e para a criação de incríveis neologismos com as boas e velhas palavras chulas.

E eu, como neto desse cara, só tenho a agradecer e encher a boca pra dizer: “No cu, braboleta!”

quarta-feira, 27 de maio de 2009

trampando nas nuvens

Sempre comentei a respeito dos trabalhos que fazia pra TAM. Entonces, pra quem tem curiosidade, essas são compilações dos 2 últimos meses, antes da minha saída desse projeto. Muitas dessas matérias produzi, algumas roteirizei e outras dirigi. Dá um confere aí que tem umas voyages ótimas.




Nesse de cima tem umas ceninhas de uma matéria sobre os bastidores da seleção, gravada lá em Porto Alegre, antes do jogo contra o Peru, que assistimos de dentro do campo. Tem também um pequeno pedaço da entrevista feita em Paris com o bon vivant e autointitulado vagabundo francês Pierre Barouh, que fez aquele documentário maluquíssimo chamado Saravah, com a participação de Baden, Paulinho da Viola e Bethânia nos primórdios e de Pixinguinha e João da Baiana nas últimas. Recomendadíssimo esse filme! Nesse programa tive também um papo
sobre os novos quadrinistas brasileiros com o cartunista genial Laerte, que não aparece aí.




Viagem batuta demais pela parte francesa do velho mundo... Parrí, Vale do Loire e talhe coisa e coisa tal. Tem também uma amostrinha da matéria sobre a nouvelle vague, que contou com o cineasta
"maldito" Claude Lelouch. E não menos importante e delicioso de fazer, um teco ínfimo do vídeo de destino turístico sobre o Maranhão, que teve direito a passeio histórico, doce de espécie, sobrevôo nos Lençóis, macaco na cabeça e outras pedras de remponsa. Ah, tem a entrevista que fiz com o pianista Phillipe Baden Powell, que como o nome acusa, é filho do hômi.

Mais pra frente postarei uns e outros quadros completos, com o diário de bordo e tudo o mais. Xá só eu resgatá-los. Simba!

quarta-feira, 20 de maio de 2009

pequetita?


do vidro do trabalho,

emoldurado pela tela, ______________dois prédios de escritório

e o batente da janela,

avisto um recorte da breguice da Daslu

e, imantadas por ela,

as hélices rompem o pôr do sol

tão bonito de fumaça,

incitando as copas sem praças

e ampliando o ohmnmnmn do mantra urbano

e a visão inebriada, e o sono...

das meninas tietes na porta da Via Funchal

com seus travesseiros, edredons e badalhocas

sob o aroma de por quilo e dobradinha de padoca

dvds piratas estão em oferta e o pagamento é à vista

três por dez

dez por vinte

seis em cada sete taxistas,

como se pescassem com varas e anzóis,

discutem futebol, lêem Destak e falam mal dos motoboys,

que por sua vez,

rosnam e rebolam suas caixas

apagando a tinta das faixas

mas das onze às seis

o trânsito não é lá tão ruim,

apesar do protesto com apitaço e narizes de palhaço

contra alguma firma nem tão firme assim

nos vãos das______persianas, dos ______,,óculos,

das________________ xanas,

desfilam celulares, laptops, catracas,,,,,,,,,,,,,,,crachás, ipods, gravatas,

comandas, blackberrys, convênios

e gêmeas, gêmeos...

Nunca vi tantos gêmeos!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

ok, ok, que história é essa de Gorgonzola


Antes de tudo, o referido pasteurizado é uma dádiva, uma descoberta incrível do homem. Talvez a maior depois do silêncio – e do barulho, já que é ele quem legitima a pausa –, da risada, da batata, da arara e, pra ser correto, do amor. Diria mais, ele é por si só, uma alegoria inexpugnável (essa é pro Pán) da própria existência humana. Não seria a vida um processo incessante de maturação?

O Gorgonza, intimamente falando, é de uma riqueza simbólica incrível, quase uma tortada na cara. Fedido para leigos comportados e conformados, cheiroso para ousados cheios de apetite. E cabe aos que reconhecem seu sabor divino e robustamente intenso, acatar os fungos anis esverdeados e marrons azulados... assim como na vida e suas fortes emoções. Para o bem e para mal! E o pior – ou o melhor –, é que são eles, os fungos, que dão a graça da aventura gustativa e, peito aberto aos paralelismos!, garantem a reelaboração da própria vitalidade.

Pra ser direto, há que se saber saborear esse misto de maciez e impetuosidade e, claro, administrar a digestão... pois não é brincadeira. Mas, sem medo, ergam seus pães, torradas e damascos e mandem bala, porque quem não petisca, não arrisca. O que é matar e morrer pela vida, esse queijo nobre? Tamanha reflexão justificaria até trocadilhos infames! O Gorgonza, como tudo – sim, como tudo –, tem seu preço. Mas a vida não é barata e o queijo não é fácil. Man
ja?