Antes de tudo, o referido pasteurizado é uma dádiva, uma descoberta incrível do homem. Talvez a maior depois do silêncio – e do barulho, já que é ele quem legitima a pausa –, da risada, da batata, da arara e, pra ser correto, do amor. Diria mais, ele é por si só, uma alegoria inexpugnável (essa é pro Pán) da própria existência humana. Não seria a vida um processo incessante de maturação?
O Gorgonza, intimamente falando, é de uma riqueza simbólica incrível, quase uma tortada na cara. Fedido para leigos comportados e conformados, cheiroso para ousados cheios de apetite. E cabe aos que reconhecem seu sabor divino e robustamente intenso, acatar os fungos anis esverdeados e marrons azulados... assim como na vida e suas fortes emoções. Para o bem e para mal! E o pior – ou o melhor –, é que são eles, os fungos, que dão a graça da aventura gustativa e, peito aberto aos paralelismos!, garantem a reelaboração da própria vitalidade.
Pra ser direto, há que se saber saborear esse misto de maciez e impetuosidade e, claro, administrar a digestão... pois não é brincadeira. Mas, sem medo, ergam seus pães, torradas e damascos e mandem bala, porque quem não petisca, não arrisca. O que é matar e morrer pela vida, esse queijo nobre? Tamanha reflexão justificaria até trocadilhos infames! O Gorgonza, como tudo – sim, como tudo –, tem seu preço. Mas a vida não é barata e o queijo não é fácil. Manja?
segunda-feira, 18 de maio de 2009
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"quem não petisca, não arrisca."
ResponderExcluirfrase chique essa.
Vrax!
Pán
Ah, Zán, claro: é uma honra estar na suas linhas. (Quando você me explicar o que significa alegoria inexpungnável, vou ficar mais feliz ainda.)
ResponderExcluirVrax, mon quiqui!
PánPán
Tudo pra alegrar seu coração, ó, Pan, mon cricri.
ResponderExcluir>> Alegoria inexpugnável: representação simbólica que não pode ser atacada ou dominada ou, ainda, contestada.
Tem coisas que só as crônicas futebolísticas do Nelson Rodrigues fazem por você.
vráx
Isso é tudo muito difícil pra mim.
ResponderExcluirAcho que foi muito gibi do Cebolinha.
Também li muito Cebolinha, rapaz. Mas um dia caí na perdição...
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